História

Pedroso, com 19,65 km² de área, é a freguesia com maior extensão do concelho de Vila Nova de Gaia e, segundo dados de 2021, contava com cerca de 18 409 habitantes.

Trata-se, segundo os vestígios arqueológicos, de um dos territórios mais antigos do concelho: a Mamoa da Raposa, descoberta em 1984, data do período Neo-Calcolítico e o Castro Petrosus, no Monte Murado, datado do ano 7 d.C., começou a ser habitado na Idade do Ferro, tendo o seu povoamento se prolongado, pelo menos, até ao período romano. Este era um povoado habitado pelos Túrdulos Velhos e é exatamente em Castro Petrosus que tem origem o atual nome da freguesia. Foi neste mesmo monte que, em 1982, foram encontradas 2 placas de bronze (TesseraeHospitales), datadas dos anos 7 e 9 d.C., tendo sido consideradas os achados arqueológicos mais importantes da década na Península Ibérica. As inscrições nelas contidas permitiram perceber a existência de pactos de hospitalidade entre TurduliVeteres, da tribo Galeria, e vários indivíduos indígenas dos TurduliVeteres.

Desta forma, pode afirmar-se que Pedroso faz parte do principal roteiro arqueológico do país, constituindo as referidas placas uma prova inequívoca da sua identidade histórica, que remonta a muito antes da nacionalidade portuguesa.

Outra prova da antiguidade de Pedroso é a carta de foral que recebeu no dia 3 de agosto de 1128 por D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.

O ex-libris da freguesia é, sem dúvida, o Mosteiro de Pedroso. Este mosteiro pertenceu à Ordem de São Bento, pensando-se ter sido doado por D. Gondezinho e fundado em 867. No entanto, não há absoluta certeza quando à sua fundação. No séc. XIII, acolheu no seu seio, como abade comendatário, Frei Pedro Julião, que, mais tarde, viria a ser nomeado Papa João XXI.

Desde o princípio do séc. XV até 1560, foi governado por abades comendatários, tendo sido o último, o cardeal D. Henrique, que anexou as rendas do mosteiro ao Colégio de Jesus de Coimbra. A comunidade beneditina manteve-se até à morte do último monge, ocorrida em vida de Frei Leão de São Tomás, segundo testemunho do próprio. Até 1773, o Colégio de Jesus de Coimbra manteve no mosteiro religiosos responsáveis pela administração das rendas e do serviço paroquial até à sua extinção, nesse mesmo ano, tendo sido os bens entregues à Fazenda da Universidade de Coimbra.

 

O Mosteiro de Pedroso foi um templo inicialmente de estilo românico. Todavia, devido às alterações que foi sofrendo ao longo dos anos, perdeu grande parte da sua traça original. Do edifício primitivo, salvou-se a fachada lateral com um escudo e a pia batismal no seu interior. O torreão medieval, adossado à fachada, também permanece intacto. Apesar das alterações que foi sofrendo, é, sem dúvida alguma, um edifício pleno de encanto. Prova disso, é a sua classificação como Monumento de Interesse Público, em maio de 2014.

Pedroso surge como freguesia organizada já na Idade Média, estando documentada pelo menos desde o século XI. O seu núcleo central desenvolveu-se em torno da Igreja de São Pedro de Pedroso, que funcionava como centro religioso, social e administrativo. Ao longo dos séculos medievais, o território era constituído essencialmente por casais agrícolas, quintas e amplas áreas florestais, integrando-se na economia rural que abastecia as populações de Gaia e do Porto.

Entre a Idade Moderna e o início da contemporaneidade, Pedroso manteve-se uma freguesia marcadamente rural, onde predominavam a agricultura, a pastorícia e pequenas propriedades familiares. No entanto, com o avanço do século XIX e, sobretudo, do século XX, a freguesia começou a transformar-se gradualmente. O crescimento industrial do concelho de Vila Nova de Gaia, a melhoria das acessibilidades e a expansão demográfica contribuíram para que Pedroso deixasse de ser apenas uma comunidade agrícola para se tornar num espaço misto, com zonas industriais, comerciais e residenciais. Esta mudança acompanhou a dinâmica urbana da região do Porto e consolidou Pedroso como uma área de crescente importância económica e social dentro do concelho.

Ao longo do século XXI, Pedroso passou por importantes alterações administrativas: após ter sido agregada a Seixezelo em 2013, no âmbito da reforma das freguesias, formando a União das Freguesias de Pedroso e Seixezelo, a decisão reverteu-se em 2025, restabelecendo novamente a sua configuração inicial.

Pedroso conserva uma identidade própria, visível no seu património arqueológico e religioso, nas suas tradições e na memória coletiva da população. Hoje, continua a ser uma área onde coexistem o passado profundo, marcado pelos monumentos megalíticos, e o dinamismo contemporâneo de uma freguesia integrada num dos concelhos mais populosos e ativos do país.